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INFORMAÇÕES PARA PACIENTES

Derrame pleural em Goiânia: investigação e tratamento

O acúmulo de líquido ao redor do pulmão é um sinal, não um diagnóstico. O passo mais importante é descobrir a causa.

Atualizado em outubro de 2026 · Dr. Frederico Monteiro · CRM-GO 13.519 · RQE 17.561 / 9.796

Ilustração tridimensional do tórax com derrame pleural em um dos lados: líquido acumulado entre o pulmão e a parede do tórax, com detalhe ampliado do pulmão, da pleura e do líquido

O que é o derrame pleural?

O pulmão é envolvido por duas membranas finas, a pleura. Entre elas existe normalmente uma pequena quantidade de líquido, que permite ao pulmão deslizar durante a respiração. O derrame pleural acontece quando esse líquido se acumula em quantidade maior do que o organismo consegue absorver. Muitas pessoas chamam essa situação de "água no pulmão".

O líquido ocupa espaço dentro do tórax e pode impedir que o pulmão se expanda por completo. Por isso, o sintoma mais comum é a falta de ar, que costuma piorar aos esforços ou ao deitar. Também podem ocorrer tosse seca e dor ao respirar fundo. Derrames pequenos às vezes não causam sintomas e são encontrados em exames feitos por outro motivo.

Quais são as causas mais comuns?

O derrame pleural pode ter origem em doenças muito diferentes entre si. Entre as causas mais frequentes estão:

  • Insuficiência cardíaca, doenças do fígado e dos rins, que alteram o equilíbrio de líquidos do corpo.
  • Pneumonia, que pode provocar um derrame "parapneumônico" e, em alguns casos, evoluir para infecção da pleura (empiema).
  • Tuberculose pleural, causa importante no Brasil, inclusive em pessoas jovens.
  • Câncer, seja um tumor do próprio pulmão ou da pleura, seja a disseminação de tumores de outros órgãos, como mama, ovário e linfomas.
  • Embolia pulmonar, doenças autoimunes e efeito de alguns medicamentos, entre outras causas menos frequentes.

Como a causa é investigada?

A investigação combina a história clínica com exames de imagem e, muitas vezes, com a análise do próprio líquido.

  • Exames de imagem: a radiografia mostra o derrame; a ultrassonografia ajuda a medir o volume e a guiar a punção com segurança; a tomografia avalia o pulmão, a pleura e outras estruturas do tórax.
  • Toracocentese: é a retirada de uma amostra do líquido com uma agulha fina, com anestesia local. A análise laboratorial diferencia os principais tipos de derrame e pode identificar infecção, sinais de tuberculose ou células tumorais.
  • Biópsia da pleura: quando a análise do líquido não esclarece a causa, pode ser necessário obter um fragmento da pleura. Isso pode ser feito com agulha guiada por imagem ou por videotoracoscopia, que permite examinar toda a superfície da pleura e colher amostras das áreas alteradas.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende da causa. Quando o derrame decorre de insuficiência cardíaca, por exemplo, o foco é o tratamento clínico da doença de base. Os procedimentos sobre a pleura entram quando há necessidade de aliviar sintomas, esclarecer o diagnóstico ou evitar que o líquido volte.

  • Toracocentese de alívio: retirada de parte do líquido para melhorar a falta de ar.
  • Drenagem torácica: colocação de um dreno, em geral de pequeno calibre, quando o líquido precisa sair de forma contínua, como em algumas infecções.
  • Videotoracoscopia: cirurgia minimamente invasiva, feita por pequenas incisões, que permite diagnosticar, retirar o líquido e tratar a pleura no mesmo procedimento.
  • Pleurodese: procedimento que promove a aderência entre as duas camadas da pleura, para reduzir a chance de o líquido voltar.
  • Cateter pleural de longa permanência: um tubo fino que fica no tórax e permite drenar o líquido em casa, em situações selecionadas de derrame recorrente, como em alguns casos de câncer.

A escolha entre essas opções é individual e considera a causa, o estado geral de saúde e as preferências da pessoa.

Quando a avaliação não deve ser adiada?

Procure atendimento com prioridade se houver falta de ar que piora rapidamente, febre associada ao derrame, dor torácica intensa ou se o líquido voltar a se acumular logo após uma punção. Nesses casos, a avaliação precoce ajuda a definir o tratamento antes que o quadro se torne mais complexo.

Como conduzimos

Cada caso é avaliado individualmente. A depender da situação, a investigação e o tratamento podem incluir a toracocentese, a biópsia da pleura, a drenagem torácica ou a videotoracoscopia, com pleurodese quando indicada. Os casos mais complexos são discutidos em reunião multidisciplinar, com os outros médicos envolvidos no cuidado, e a decisão é compartilhada com você e sua família.

Dúvidas frequentes

Derrame pleural é sempre câncer?

Não. Muitas causas são benignas, como a insuficiência cardíaca e a pneumonia. Ainda assim, todo derrame sem causa definida merece investigação, porque o câncer está entre as possibilidades.

A punção do líquido dói?

A toracocentese é feita com anestesia local. A maioria das pessoas relata desconforto leve durante a aplicação da anestesia e uma sensação de pressão durante o procedimento.

O derrame pode voltar depois de drenado?

Pode, principalmente se a causa continuar ativa. Quando o derrame volta com frequência, existem procedimentos para reduzir essa chance, como a pleurodese e, em casos selecionados, o cateter de longa permanência.

Preciso de cirurgia?

Nem sempre. A cirurgia por vídeo é indicada em situações específicas: quando o diagnóstico não foi esclarecido por métodos menos invasivos, em infecções que não respondem ao dreno ou para controlar derrames que voltam com frequência.

Para sua consulta

  • Leve as radiografias, ultrassonografias e tomografias, com os laudos e, se possível, o acesso às imagens.
  • Leve os resultados de análises do líquido pleural e de biópsias já realizadas.
  • Anote há quanto tempo os sintomas começaram e se já foi feita alguma punção.
  • Leve a lista dos medicamentos em uso, incluindo anticoagulantes e antiagregantes.
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Fontes
  • Roberts ME, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s1-s42. Diretriz, 2023. PMID 37433578. doi:10.1136/thorax-2022-219784
  • Bedawi EO, et al. ERS/ESTS statement on the management of pleural infection in adults. Eur Respir J. 2023;61(2):2201062. Declaração de sociedades, 2023. PMID 36229045. doi:10.1183/13993003.01062-2022

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