
Quando a cirurgia faz parte do tratamento?
A cirurgia costuma ser indicada quando o tumor está restrito ao pulmão ou a uma região próxima e pode ser retirado por completo. Antes de decidir, três perguntas precisam de resposta:
- Qual é o tipo de tumor? A biópsia mostra o tipo de câncer.
- Até onde a doença foi? Exames como tomografia e PET-CT mostram se o tumor está só no pulmão ou se atingiu gânglios ou outros órgãos.
- O corpo tolera a cirurgia? Exames da respiração e do coração mostram se é seguro retirar parte do pulmão.
Se você ainda não tem diagnóstico, veja as páginas sobre nódulo pulmonar e biópsias.
Quais cirurgias podem ser feitas?
O pulmão é dividido em partes chamadas lobos (três do lado direito e dois do lado esquerdo), e cada lobo se divide em segmentos.
- Segmentectomia: retira apenas o segmento que contém o tumor. Pode ser indicada para tumores pequenos, preservando mais pulmão.
- Lobectomia: retira o lobo inteiro que contém o tumor. É a cirurgia mais comum.
- Cirurgias maiores: alguns tumores exigem retirar estruturas próximas ou, mais raramente, o pulmão inteiro (pneumonectomia).
Em todas elas, os gânglios (linfonodos) próximos também são retirados e analisados. Isso ajuda a confirmar a extensão da doença e a decidir se é preciso algum tratamento depois.
Por vídeo, robótica ou aberta?
Sempre que possível, a cirurgia é feita por técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões, por vídeo ou robótica. Em alguns casos, a cirurgia aberta é a opção mais segura. A escolha depende do tamanho e da localização do tumor e de cirurgias anteriores.
A cirurgia é uma parte do tratamento
Algumas pessoas operam primeiro. Outras fazem quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia antes da cirurgia. Às vezes, um tratamento sem cirurgia é o mais indicado. Depois da operação, a análise do tumor retirado mostra se é preciso algum tratamento complementar.
O planejamento é feito em conjunto com a oncologia clínica e a radioterapia.
Depois da cirurgia
A internação costuma durar alguns dias, e a fisioterapia começa antes e continua depois da cirurgia. Entenda a recuperação da cirurgia de pulmão.
Como conduzimos
Cada caso é avaliado individualmente. Os casos de câncer de pulmão são sempre discutidos em reunião multidisciplinar, com oncologia clínica, radioterapia e outras especialidades. O plano, incluindo se a cirurgia é indicada, qual cirurgia e por qual via, é definido com você, em decisão compartilhada.
As cirurgias são realizadas no Hospital de Câncer Araújo Jorge e no Hospital Santa Helena.
Dúvidas frequentes
Todo câncer de pulmão pode ser operado?
Não. Depende do tipo de tumor, da extensão da doença e da sua saúde. Em alguns casos, outros tratamentos vêm antes, depois ou no lugar da cirurgia.
Sempre é preciso retirar o lobo inteiro?
Não. Em tumores pequenos selecionados, retirar só o segmento pode ser suficiente.
Vou conseguir respirar bem depois?
A avaliação antes da cirurgia serve justamente para isso: a operação só é proposta quando o pulmão restante é suficiente.
Posso pedir uma segunda opinião?
Sim. Veja como funciona.
Para sua consulta
Leve o resultado da biópsia, as tomografias e o PET-CT (link ou CD), os laudos, os exames da respiração e do coração, se já tiver feito, e a lista de remédios em uso.
Agendar pelo WhatsAppFontes
- Saji H, et al. Segmentectomy versus lobectomy in small-sized peripheral non-small-cell lung cancer (JCOG0802/WJOG4607L): a multicentre, open-label, phase 3, randomised, controlled, non-inferiority trial. Lancet. 2022;399(10335):1607-1617. PMID 35461558. doi:10.1016/S0140-6736(21)02333-3
- Altorki N, et al. Lobar or Sublobar Resection for Peripheral Stage IA Non-Small-Cell Lung Cancer. New England Journal of Medicine. 2023;388(6):489-498. PMID 36780674. doi:10.1056/NEJMoa2212083